05 Agosto 2011

Maquiagem de emergência

Era uma segunda feira de julho, um dia ensolarado de verão, sentados na principal esquina de Glastonbury, no que seria apenas um dia de passeio à aquela cidade, que decidimos ficar por mais um dia. Até então só havíamos comprado os ingressos para visitar a Abadia, mas foi depois de ter dado uma olhada nos livros da lojinha de souvenires é que me dei conta do que aquele lugar significava. Eu vi várias referências ao rei Arthur, ao Santo Graal, à Avalon e a José de Arimatéia... espera um pouco... O túmulo de Arthur e Guinevere? A Torre de São Miguel (Glastonbury Tor) que teria selado a entrada para o Mundo Inferior? Esse lugar estava cheio de referências a lendas tão famosas que precisaríamos de mais tempo pra olhar tudo. O hotel especialmente escolhido foi aquele logo ali, bem próximo de onde estávamos, o The George and Pilgrim´s Hotel ( para continuar no clima de passado histórico: o mesmo hotel que o rei Henrique VIII se hospedou para assistir à demolição da Abadia, em 1539). Legal, decisão tomada, fomos ver nosso quarto: imagine um prédio de 3 andares com mais de 500 anos, cheio de vigas tortas e inúmeros ruídos a cada passo subindo a escada, que coisa mais linda! O funcionário que nos atendeu mencionou alguma coisa sobre fantasmas, mas deixamos isso para mais tarde, na volta do passeio. Primeiro precisávamos de recursos extras, afinal estávamos com a roupa do corpo apenas. Felizmente havia uma farmácia Boots logo em frente do hotel. Kit básico de emergência: pasta e escova de dente, desodorante, protetor de calcinha (nunca saia de casa sem ele) e pomada (cabelo curto é prático mas o meu está longe de ser só lavei e saí). E quanto à roupas? Juro que não é frescura mas sim pura necessidade, porque eu transpiro MUITO nas axilas e não poderia contar com minha camiseta pro dia seguinte depois de uma tarde de caminhada intensiva debaixo de um sol de 30 graus. Por sorte as lojas ainda estavam abertas (aqui tudo fecha tão cedo! 4 da tarde e estão fechando as portas, se estiver com sorte você acha alguma loja aberta até as 5) e justamente o que eu precisava: uma charity shop. Aqui na Inglaterra a maior parte dos "brechós" são de entidades filantrópicas (Cruz Vermelha, Exército da Salvação, Cancer Research, etc.) e os objetos, livros e roupas são vendidos a preços simbólicos e tudo em ótimo estado. Foi a minha sorte achar uma camiseta e uma  saia combinando, por 12 libras no total, e ainda por cima uma saia tão bacana da French Connection, ui! O drama da roupa decente pra jantar fora estava resolvido, eu já não iria mais ao pub com a mesma camiseta suada, amém. E o tal do make de emergência, onde entra? Pois é, depois do banho (shampoo e sabonetinho de hotel quebram um galho imenso) e com uma cara completamente lavada, coisa rara de acontecer à noite, eu usei o único recurso disponível que eu sempre carrego: batom vermelho. Na verdade ele não é vermelho propriamente dito, mas um framboesa bem fechado e mate da Contém1g ( raspberry mate cremoso) que também funcionou como blush, já que ele é bem sequinho. A embalagem é ótima porque vem com um espelhinho, como podem ver na foto tosca do meu celular:
O batom salva-vidas

video
Glastonbury Abbey

The George and Pilgrim´s Hotel (o homem sentado tranquilamente vigiado pelo cavaleiro)

Glastonbury Tor


P.S.: Quanto ao(s) fantasma(s) no hotel só posso dizer que foi a noite mais estranha da minha vida. Não "vi" nada mas eu acordei várias vezes durante a noite com a impressão de estarmos sendo observados. Booo!

4 comentários:

Postar um comentário

Olá, obrigada por deixar uma mensagem, seu comentário será publicado assim que aprovado. Volte sempre! Servimos bem para servirmos sempre :D

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

ShareThis